Quem é você ? o que é você ?
Não tem mais nada que eu possa fazer, quanto mais eu corro, parece que mas veloz você fica. Parece que estou em um labirinto, sem volta, não acho a direção, não acho a luz de saída. Não vejo nada, uma escuridão densa, escondida dentro de mim mesmo, você, o que é você ?
A muito tempo, havia forjado uma armadura, forte, reluzente, bela, criei assim um lugar onde me sentia seguro, conseguiria enfrentar, quase tudo, é quase. Não sei o porque, mas enquanto a forjava, enquanto deixava quase que intransponível me preocupei com meus braços para lutar, minhas pernas para me sustentar durante árduas batalhas, minhas mãos para que conseguisse apalpar minhas glórias, minha face para que me protegesse e me escondesse.
Forjei também, minhas armas, minha espada que assim eu pudesse desvairar, enfrentar o desconhecido sempre com minha lamina que reluzia minha fé de continuar de sempre avançar, também fiz um escudo para me proteger de ataques diretos e indiretos, foram muitos. Vivi muita coisa, conquistei vários territórios, tive varias batalhas ganhei todas, nunca perdi, até agora.
Vagando na minha propiá escuridão, encontrei um antigo algoz, não havia o que temer mais, estava com minha armadura, minha espada em punho e meu escudo e minha confiança, sim, ele tinha me derrotado uma vez, será diferente esta batalha, fechei meu capacete, armei-me com a fé na ponta da espada minha confiança brilhava no meu escudo, entrei na batalha sem medo, ataquei,ataquei,ataquei, ele apenas desviava e desviava, até que revidou.
Com apenas um golpe, ele encontrou, o único ponto frágil daquela esplendida armadura, o velho algoz novamente havia me derrotado da mesma forma: um golpe certeiro no meu peito, coração perfurado. Havia sobrevivido a seu primeiro e antigo ataque, achei que não precisaria de proteção, pois já havia cicatrizado, nenhum golpe é para sempre, irônico, enquanto retirava aquela lamina fria e rígida do meu peito ele apenas pronunciou estas palavras:
- O seu coração nunca se cura, sempre esta aberto, pulsando, não há defesa, seu ponto fraco sempre sera este…
Terminou de retirar a espada de dentro do meu peito, enquanto eu ia caindo o vi virar as costas e ir para a escuridão, no chão, lutei comigo mesmo tentando entender o porque dele sempre acertar, de só ele acertar no meu ponto fraco, meu único ponto fraco. Quase sem forças para me manter vivo, balbuciei minhas ultima palavras que meu folego aguentava:
- O que é você, quem é você ?
Sentado no botequim de esquina, o sol se abaixando o povo suado de um dia de trabalho vai chegando, meu copo de cerveja escorre por causa do calor. Muitos vem, muitos vão, tomo o primeiro gole, desce me refrescando, pego minha caderneta, tento desenhar uma mulher, tento de novo, mais uma vez. Pois é não consegui, resolvi escrever, se consigo ler consigo escrever, só nessa de tentar desenhar foi umas três folhas frente e verso de “desenhos”, mas dessa vez não, vai ser como soldados numa guerra mato ou morro, vai ou vai, escrevo ou escrevo. Decido-me por fazer um verso, quer algo mais fácil do que um verso, é só rimar, alem do mais rimar por uma guria. E assim vai começo, escrevo a primeira, a segunda e a terceira linhas de tal verso.
“Você é tão linda
tão linda, lindinha
Bonita, bonitinha”
Leio, não sei se dou risada ou se choro, por favor consigo fazer algo melhor, puxo inspiração de dentro da minha alma de um grande homem sentado num boteco sem nada de melhor a fazer, sinto que agora vou conseguir, respiro profundamente, uma ,duas, três vezes e:
” Tal moça que me encanta
Olhos negros, saia apertada
Rosto desenhado, seios fartos
Não tão alta, nem tão pequena
Coração machucado, vingança entre as coxas
Lábios sedentos, olhos escondendo pena
Tal moça, assim posso dizer
Comigo nada vai fazer sentido
Comigo nada poderá fazer
Mas moça, curarei seu coração
Não choraras, apenas sorrira
Tal moça, a ti vou beijar contigo vou sonhar
Com você vou transar, tal moça me acompanha ? “
Termino de escrever e de ler e:
- Nossa, que lindo poema !
Me espanto por ouvir uma voz feminina elogiar meu poema de botequim, me espanto mais ainda por ver que tal moça, era parecida com a minha “moça”, pernas grossas, vestido soltinho, sorriso branquinho, linda ! quase uma Iracema dos lábios de mel, sera que ela tem ? Só vou descobrir se responder:
- Obrigado, alias duplamente obrigado !
Confusa me pergunta:
- Um eu sei, e o outro ?
Respondo a moça
- É o obrigado por você aceitar meu convite.
Me questiona
- Que convite ?
Respondo
- De você ir comigo ao samba, no fim da lapa, que tal ?
Com um sorriso de quanto de boca, um ar de duvida pairava por sua face, respira fundo, nesse movimento seus seios vem mais para perto, lindo.
- Sim, da qui uma hora aqui mesmo nós encontramos
Ela me responde isso, apenas concordo com a cabeça com um sorriso no rosto. Minha cerveja estava quente, tinha perdido minha tarde sentado, o bar já estava cheio de velhos fedendo a alambique, mas nem liguei, a tal moça aceitou meu convite, do mesmo jeito que veio se foi.